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domingo, 13 de febrero de 2011

Escolha uma opção

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Ao contrário dos outros,
a fragilidade.

nas ruas corro atrás da vida
o meu tempo medido pelas coisas
que consigo fazer
no regresso lamento
o que ficou por fazer

os lábios tocam o vidro
parece a pele de alguém
que acabou de acordar
quente de um sonho

talvez alguém numa outra rua da Terra
repita os meus passos
num caminhar lento que respira suave
sobre um chão de folhas caídas
no passeio
de volta a casa, alegre talvez
contando as pequenas vitórias
do dia

a cabeça toca a leveza das almofadas
sente-se a liberdade da tarde que parte
fecham-se as janelas da sala
sobre uma tranquilidade maior
que todo o tempo.
 
Fernando Ribeiro

Diálogo de Vultos

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- Onde estamos?
- Estamos mortos.

E sem prestar a mais leve atenção
entregamo-nos.
Como quem surge da bruma, sem alguma inquietude
descarregamos o fardo das intempéries nos tordos recantos.
Foi o amanhecer de Primavera manhã.
Alisamos o cansaço da pele
de chuvas e ventos.
Sentamo-nos lado a lado,
e foi viver os aromas da estadia.
Dêmo-nos ao coração singelo
Incendiamos melodias já esquecidas
da água e do fogo.
Encorajamo-nos a preservar,
a não sofrer amarga morte.
Diante dos nossos olhos
estenderam-se caminhos, que conduziam à vida
abraçamo-nos.
Um ao outro num abraço demorado
poderosa luz infundiu nos nossos lábios.
Com olhos d´ água e fogo d´alma
caminhamos até ao horizonte
Pedimos uma última palavra:
- Com que nome poderemos recordar-nos?
Quase sem voz
acenamos um adeus.
E, desde então nossa vida tem sido apenas
esperar por nós, sabendo-nos ressuscitados.